Como e onde adquirir um Westie?

Entrevista cedida ao blog “De frente com Téo e Leo” em 14 de julho de 2014.

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T&L: Nós lemos uma matérias de vocês “Quanto custa um West Highland White Terrier”. E gostaríamos de explicar um pouco mais para nossos leitores sobre como escolher um pet de estimação.

Hoje é muito fácil encontrar um filhotinho “de raça” para comprar. Por que existe uma diferença tão grande entre os preços?

HW: Bem, existem várias formas de criar e produzir filhotes de raça. Esse manejo fatalmente reflete-se no valor final do filhote. Assim, dependendo da “filosofia” da criação, os custos se modificam. Alguns criadores investem em muito espaço, compram sêmen ou cães de fora do país, possuem funcionários, veterinários, fazem exames genéticos de seus reprodutores, levam pra exposição e pagam handlers. Todo esse investimento reflete-se no valor do filhote.

Há alguns criadores que investem tanto que nem conseguem empatar a conta com a venda dos filhotes. Por isso, em alguns casos, o criador tem outra profissão e criar, nesse contexto, é um hobby.

Mas, o que o novo proprietário deve avaliar é:

Primeiramente: porque eu quero um cão desta raça? Segundo: pelo que eu realmente estou pagando? O que está incluso no “pacote”?

Uma amiga minha uma vez foi questionada sobre como ela tinha treinado o seu filhote para fazer xixi no lugar certo. Ao se dar conta que não sabia explicar, justamente pelo fato de não ter tido esse tipo de trabalho, pois recebeu um filhote extremamente educado a fazer xixi no local certo, ela respondeu: adquirir de um criador é como adquirir um carro com todos os itens de fábrica… meu filhote eu adquiri com itens extras.

Achei a comparação o máximo! 🙂 Pois é exatamente isso que acontece: quanto mais barato for o exemplar, mais sujeito a falta de garantias você está, menos itens de fábrica estão inclusos no pacote. E, óbvio, você não pode reclamar por nada disso! Afinal de contas, a escolha de comprar de acordo com o valor e não pela qualidade, foi sua. É como escolher comprar um Iphone “Chingling” e querer o mesmo desempenho de um iPhone da Apple. Será no mínimo frustrante, porque de fato eles não são iguais, apenas parecidos.

Quando as pessoas me escrevem dizendo que sonham com um cão da raça que crio, mas não podem pagar por isso, eu tento sempre convencê-las a adotar um cão. No fim das contas, ela vai ser tão feliz quanto. Adquirir um cão de raça é pra quem quer pagar o preço de ter um, pois o valor da aquisição é apenas o início de tudo.

 

T&L: É muito comum ouvirmos falar de fábrica de filhotes ou criadores de fundo de quintal. O que são e como funcionam?

HW: Essa é uma pergunta bem complexa. Acredito inclusive que uma “googlada” a responde melhor que eu rsrsr… Mas vamos lá:

Existem algumas pessoas que vêem a criação de cães apenas como um comércio como outro qualquer. Essas pessoas geralmente criam “a raça da moda” e/ou criam mais de uma raça, justamente para alcançar uma parcela maior da clientela – alguns chegam a criar 10 raças diferentes. As raças são selecionadas de acordo com o que vende mais, com o cão da novela de sucesso, do comercial bacana, enfim. Quando “cai da moda”, eles se desfazem dos cães como quem doa uma roupa.

Essas pessoas manejam números de cães com 3 dígitos: 200 a 300 cães. Produzem cães exclusivamente para vender, e muito raramente possuem uma “linha de sangue” definida e, muito menos, uma genética sólida. A meta é vender. E como em qualquer “negócio”, quanto mais produzem, mais lucram.

Já ouvi falar de gente que aluga espaços em outros locais porque os seus estão lotados. Alugam baias de 4m2 e nelas colocam 15 a 20 cães. Soube de um caso desse que o aluguel era para 80 buldogues franceses. Imagine como eles vivem? Se essa pessoa tem coragem atulhar os pobres cães assim (num espaço que nem mesmo é seu), você acha que se preocupam com vacinas? Boa alimentação? Vermifugação? Genética? Cruzamentos seguros?

Por outro lado, existem também os casos das dondocas de plantão, que moram numa mansão e tem um casal de cães de raça e simplesmente “resolveu cruzá-los para ter uma ninhadinha, mas a intenção não é ser um criador”. Um cão proveniente de um cruzamento desses pode ter tantos problemas, como um proveniente do outro que atulha.

Ou seja, no fim um criador de fundo de quintal não precisa necessariamente fazer a criação nos fundos de sua casa. Basta que ele(a) não saiba lhufas do que está fazendo. Inclusive ele pode morar numa mansão.

 

T&L: A gente sabe que “ter pedigree” não é garantia de muita coisa, porque é muito fácil conseguir esses registros ou mesmo falsificá-los. Qual a dica para identificar um criador de fundo de quintal inescrupuloso de um criador sério?

HW: Sim! Eu costumo dizer que pedigree não é atestado de beleza. Uma prévia pesquisa sobre a raça que você deseja, para entender principalmente as doenças da raça (já que toda raça tem seu calvário) fará você saber fazer as perguntas certas.

E fazer as perguntas certas faz você descobrir detalhes da criação. Ou seja, usar o conhecimento e necessidades da raça que se quer são as grandes armas da boa aquisição. Ter paciência de procurar, não comprar por impulso, enfim.

Você também precisa saber para quê você quer um cão. Se for pra iniciar uma criação de cães de raça, fatalmente seu exemplar não vai estar na promoção do mercado livre. Isso é fato.

 

T&L: Quais são os riscos de comprar um filhote destes “falsos” criadores? E o que é possível fazer quando isso acontece?

HW: Inúmeros! Desde doenças geneticamente limitantes até a morte do cão mais cedo do que deveria. Doenças genéticas fatais ocorrem geralmente no primeiro ano de vida de um cão (apesar que em algumas raças podem acontecer até aos 4 anos). Se o criador não souber o que está fazendo, poderá passar adiante um gene para um filhote que poderá ficar doente pro resto da vida. Isso fará você se desdobrar em 3 pra cuidar desse filhote. Sendo que o que você queria era apenas um cãozinho. E adquiriu, além disso, uma grande dor de cabeça.

Há problemas que são evitados por simples exames de sangue e outros por raio x. Saber o que exigir para se precaver é uma das soluções para evitar problemas com doenças.

O que fazer quando você escolheu comprar de um criador ruim? Bem, eu sugiro rezar bastante.

 

T&L: Pelo artigo de vocês no blog, vimos que criar westies não é barato. Imaginamos que tenham outras raças que são ainda mais caras. O que torna a criação responsável tão onerosa?

HW: Quanto mais o criador busca a qualidade, mais ele precisa investir. Quanto menos filhotes ele produz, menos o valor investido retorna. Enfim… equilibrar a balança pra quem, além de criador, é um apaixonado, será uma coisa difícil. Pois um apaixonado provavelmente sempre vai escolher investir o que tem e um pouco mais.

 

T&L: O que devemos observar ao visitar um canil ou gatil antes de decidir levar o pet para casa?

HW: Nem sempre o melhor canil da raça que você escolheu estará ao alcance de uma visita, mas, caso consiga visitar, observe a higiene do espaço,  a saúde dos cães e o bem estar deles. Cães precisam de exercícios regulares, espaço para brincar, boa alimentação, cuidados veterinários.

 

T&L: Existem artigos que falam sobre como escolher um filhote na ninhada, tentando conciliar o perfil do filhote com o da família. Tem gente que fala que o filhote escolhe o dono. Quais os cuidados que um bom criador tem ao vender um filhote? E quais as dicas que vocês dão para nossos leitores escolherem um filhote na ninhada?

HW: Nenhuma.  Como um novo proprietário vai escolher um filhote se ele nunca manejou a raça? Como ele vai saber reconhecer o perfil ideal pra ele se ele não convive com os pais, não sabe o temperamento dos pais, não acompanhou o desenvolvimento da ninhadas, as mudanças que aconteceram como cada pequenino durante a primeira fase infantil?

Aqui, nos escolhemos e direcionamos os filhotes de acordo com o perfil do novo dono. Dentro da mesma raça e até mesmo da mesma ninhada, existem cães de temperamentos variados, que claro, herdam de seus pais. Alguns filhotes são mais agitados, outros mais calmos. Alguns são mais inseguros, outros mais confiantes.

Ninguém melhor que o criador experiente com a raça, que convive com os pais da ninhada e tem larga experiência com a raça para escolher o filhote com o temperamento ideal pra você. Aqui costumamos perguntar como é o perfil da pessoa: esportista? Calma? Aventureira? Depois, de acordo com a rotina apresentada a nós, selecionamos o filhote. Os mais peraltas e teimosos vão para os mais experientes, os mais hiperativos para os esportistas (pra gastar energia junto), os mais calmos para os mais “zen”.

Tenho certeza que dificilmente o novo proprietário saberá enxergar estas diferenças no temperamento dos filhotes. E acredite, num grupo de pequenos cães, aquele que logo correu para o seu colo, provavelmente é o mais agitado, mais hiperativo e que demandará mais treino e, consequentemente, dará mais trabalho.

 

T&L: Apesar de hoje boa parte das pessoas considerarem o pet um membro da família, sabemos que na realidade é um contrato de compra e venda. Em quais situações o animal pode ser devolvido? Existe alguma regra para isso?

HW: Não. A princípio, se houver um contrato, deve-se cumprir o que for contratado. Se lá está escrito que você não pode devolver o filhote em hipótese alguma e você assinou isso, você não pode devolver o filhote em hipótese alguma. Ponto. Tudo depende do teor do contrato que foi assinado. E se ele não existir, pior ainda, pois não existe legislação específica pra isso. Por isso, o novo proprietário deve ler o contrato e assinar somente se concorde com tudo.

Obviamente, um contrato pode ser revisto na justiça para anulação cláusulas abusivas, mas pra isso se deve contratar um advogado, o que provavelmente será mais caro que o filhote em questão.

 

T&L: Um conselho para nossos leitores que estão pensando em aumentar a matilha!?

HW: Bem, quando eu vejo que o grupo já possui um cão de raça de estimação, ou seja, já realizou o sonho de ter determinada raça, eu costumo sugerir que a pessoa dê a chance pra adoção de um cão SRD. Assim mais um bichinho sem lar terá a chance de ter uma família.

Mas, em geral, a pessoa precisa avaliar: o cão que tem em casa, é castrado(a)? É territorialista? Aceita bem outros cães? Alguns cães nasceram para serem filhos únicos.

Por outro lado, imagine você ter um cão inteiro (não castrado) e colocar um do sexo oposto na sua casa. Você vai ter que lidar com cios, com possíveis cruzas “indesejadas”, manejo de filhotes que você nem queria. Enfim! Ter a companhia de um segundo cão geralmente é ótimo para os cães, mas seria bom uma boa avaliação das consequências antes de adquirir.

T&L: Obrigado pela participação Andréia e André! Temos certeza que agora nossos leitores poderão escolher um canil responsável ou optar pela adoção!