História da Raça

 

Você conseguiria imaginar que no passado, nossos pequenos westies eram sacrificados assim que nasciam? Alguns nem viviam para sentir a luz do dia. Eu sei, é difícil imaginar! 🙁 Mas a verdade é que no passado os terriers brancos eram sacrificados pelo fato de serem relacionamos com animais albinos, pois, para os criadores da época, o albinismo era sinônimo de animais fracos.

Sei, você ainda está perplexo! É difícil imaginar que estes cães de aparência tão adorável tiveram um início sombrio né? Mas, foi somente no início do século passado, por volta do ano de 1909, que raça começou a se popularizar em alguns países. Ou seja, comparado à muitas outras raças, os westies são um grupo relativamente novo. Mas vamos começar essa história do começo.

Terriers! Os terríveis?

Ao contrário de que muitos leigos pensam, o nome terrier, não remete a “terrível” ou cão de comportamento incontrolável. Na verdade a palavra terrier deriva do latim e significa “TERRA!”, mostrando a aptidão e eficiência destes cães como exímios caçadores até nos terrenos pedregulhosos, irregulares, tocas e cavernas.

O West Highland White Terrier, ou Westie, como é carinhosamente apelidado, faz parte do terceiro grupo da classificação do Kennel Club. No grupo há 38 famílias diferentes de terriers – quase todos possuem o aspecto atarrachado e aparência musculosa e rija.

Passaram a ganhar popularidade por serem exterminadores de ratos, raposas, texugos e lontras – trabalho que fazem até os dias atuais com muita maestria :). Mas naquela época, as grandes caçadas exigiam força, perseverança e inteligência dos pequenos frente às pequenas presas. Assim, os que mais desempenhavam esse papel com desenvoltura, eram os escolhidos para reprodução (agora você já pode entender porque seu Westie gosta tanto de perseguir pequenos animais né?).

Desta evolução e seleção genética, os Westies herdaram dentes grandes, arcada com mordedura perfeita, pescoço largo, corpo musculoso (bullet shape) e baixa estatura – ser baixinho ajudava a farejar e perseguir pequenas presas que correm rente à terra.

Mas, nossos corajosos, apesar de serem fortes, eram pequenos o suficiente para se contorcer e se enfiar nas tocas das presas, lugares onde jamais um humano ou um cão grande conseguiria chegar.

Depois que apanhavam a presa, seus donos os tiravam das tocas segurando pela cauda, que possui possui ossos fortes, largos e firmes no entroncamento, própria para essa finalidade. Digamos que além de bons de caça, nossos super heróis ainda possuem “super rabos!”

Os primeiros Westies

DIGNITY

Oficialmente, as primeiras notícias sobre westies, datam do ano de 1500. Ano em que o Rei James I requisitou de Argyllshire, na Escócia, cães brancos da terra para enviar de presente ao Rei da França. Esses parecem ser os primeiros exemplares da raça das histórias oficiais.

Mais tarde, em 1830, uma pintura de Sir Edwin Landseer, chamada de Dignity and Impudence, que significa “Dignidade e impertinência” mostrou um pequeno cão de caça que se assemelha a um Westie – muito provavelmente o impertinente da cena :)!

Muitos terriers originaram-se na Grã-Bretanha, o que nos faz supor que eles vieram de ancestrais comuns, ou seja, oriundos de cruzamentos inter-raciais. Ainda nos anos de 1800, os criadores ingleses fizeram uma separação: cães de pelo áspero e pernas curtas provenientes da Escócia e cães de pelo macio e pernas longas, vindos da Inglaterra.

Mas, mesmo com essa separação, a raça West ainda não havia sido reconhecida: faziam parte do grupo cães de pernas curtas os Cairn, Scottish, Skye Terrier. Dessa forma, o cruzamento desses cães entre si era comum e aceito pelo Kennel Club Inglês.

Mas, mesmo com separação dos tipos (uma grande evolução pra época), os westies ainda levavam a pior: era nessa época que os criadores selecionavam e rejeitavam os filhotes brancos. Eles achavam que seriam cães impuros, ficariam fracos e, consequentemente, inábeis para o serviço de caça.

Assim, os pequenos eram sacrificados assim que nasciam – as pelagens oficialmente aceitas variavam do marrom ao vermelho (confesso a vocês que eu fiz uma terapia de regressão à vidas passadas e descobri que não vivi vida nenhum em 1800…ufa, escapei de me tornar a “maluca que recolhe os bebes brancos e cria-os todos”).

Fixação da raça

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Na Escócia, a família Malcolm, mais precisamente os irmãos Ian e Edward Donald, que moravam em Poltalloch (Argyllshire) eram criadores de cães terriers de pernas curtas.

Conta-se que um dia, numa caçada, o Cel. Malcolm sem querer confundiu um de seus cães prediletos, de pelagem avermelhada, com uma raposa. Matou-o com um tiro certeiro. Depois deste triste episódio, ele decidiu manter os cães brancos na sua criação, pois com certeza não seriam mais confundidos (já não era pra menos né gente? Pelo menos uma pessoa sensata apareceu nessa história que já estava passando do ridículo).

Continuando: assim, o Col. Malcolm deu início à criação de cães brancos, que logo foram apreciados por outros entusiastas da raça 😀 ….eu eu eu! (levantando o braço e dando pulinhos).

Assim, no início de século XX, se criou o padrão da raça. Nessa época, os cães do Coronel Malcolm eram conhecidos como White Poltallochs (não sei porque fiquei com vontade de ter um Westie chamado Col. Malcom).

Há registro de exposição de exemplares Poltalloch Terriers em outubro de 1904 no Show Anual do Scottish Kennel Club, em Edinburgh na Escócia. E, ainda, em 1904 formaram-se os primeiros Clubes do West na Escócia e na Inglaterra.

Em 1906 na Westminster, uma grande e famosa exposição de raça dos EUA, já haviam Westies sendo apresentados. E nessa mesma época o Kennel Clube Inglês reconhecia a raça e já havia autorização para inscrevê-los na Crufts Show – a maior exposição cinófila da Inglaterra. Em 1908, 141 Westies já haviam sido incritos.

Muitos criadores se sobressaiam nas exposições, porém uma das criadoras mais expressivas foi a Sra. May Pacey, com seu afixo Wolvey Kennels, que tinha um padrão de qualidade excepcional e em pouco tempo produziu o impressionante número de 58 campeões.

A Sra. May Pacey foi uma das grandes contribuidoras na manutenção da raça na época da 1ª guerra mundial. Em época de guerra as criações de cães eram banida, pois, alimentar cães com algo que poderia ser alimento humano, era um crime. Os criadores eram se-ve-ra-men-te fiscalizados.

Nos anos de 1916 a 1917, as exposições de cães foram suspensas. Muitos criadores foram obrigados a reduzir seus plantéis drasticamente, pois não suportavam ver seus cães morrerem de fome. A Sra. May sacrificou 15 de seus animais – “um dia que eu jamais vou esquecer”, palavras da própria criadora no seu livro sobre a raça escrito em 1961.

image_thumb.pngEu compreendo que numa questão de sobrevivência os humanos deem prioridade aos seus semelhantes, mas jamais vou entender as razões de uma guerra.

Em 1920, dois anos depois do final da 1ª guerra, a criação de cães foi liberada e os shows reiniciaram. Em 1939 a raça atingiu seu sucesso, com inúmeros campeões. Na 2ª guerra mundial, apesar do racionamento de comida, a criação de cães não foi banida.

A Sra. Pacey continuou seu excelente programa de criação até o ano de sua morte em 1963 – 25% dos campeões registrados possuíam o prefixo Wolvey. Ainda na época da 1ª guerra, muitos de seus cães foram exportados para países onde não havia o racionamento de comida. Assim, seu nome começou a ser conhecido mundialmente e cada vez mais o mundo todo passou a se interessar pela sua linha de sangue.

Um fato curioso é que até 1917, os Westies ainda compartilhavam cruzamentos com os Cairns Terriers. O cruzamento inter-racial ainda era aceito pelos clubes de registro de cães. Se você procurava um Cairn, você escolhia um filhote colorido da ninhada e se você queria um Westie, você escolhia um filhote branco.

Mas, por volta de 1917, o American Kennel Club decidiu recusar o registro de qualquer Cairn que tivesse um West nas suas três primeiras gerações do pedigree. O English Kennel Club rapidamente seguiu essa regra e as duas raças foram finalmente separadas. Portanto não se assuste se algum dia encontrar alguns pelos pretos ou cinzas escuros perdidos na pelagem branca de seu Westie. Isso é sinal que algum antepassado de cor passeou por esse DNA.

Já na década de 20, após a separação da raça, o Westie evoluiu sua aparência: passou a ser um cão mais musculoso, aumentou uma polegada em sua altura e peso quando comparado ao padrão do Cairn Terrier.

A notável popularidade que a raça ganhou, entre os anos 20 e 40, atraíram os olhos de handlers e groommers profissionais para a raça. Estes, utilizando de sua expertise com a faca de hand stripping aprimoraram a tosa e tornaram nossos baixinhos mais elegantes.

Alguns proprietários que apresentavam seus próprios animais, começaram a seguir esse “penteado exuberante” e acabaram minimizando a aparência de cão de trabalho, dando-lhes aspectos de cães de companhia e a famosa cara de “ursinho”.

Mas mesmo com essa “cara de urso”, não se iluda, dentro desse cãozinho elétrico mora um animal com instinto de matilha exacerbado, que esquece qualquer comando de “pare” quando vislumbra uma presa e é capaz de sair disparado para capturá-la.

São cães que amam farejar, cavar e desafiar seus proprietários com sua inteligência superior, comportamento independente e decidido. Mas não desista: atrás de um westie obediente sempre existe um humano muito inteligente e paciente :)!