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Entenda o diagnóstico da DAC

alergicos

Mas porque meu cão se coça tanto? Thinking smile

A Dermatite Atópica Canina (DAC) geralmente ocorre entre 1 a 3 anos de idade, com maior ocorrência em cães de até 1 ano de idade11 ou menos de 6 meses10,14. Muitos estudos indicam que a DAC ocorre em ambos os sexos de forma equivalente10,15,16.

Para o diagnóstico correto é necessário excluir doenças que são semelhantes à DAC, e ainda analisar o limiar do prurido (coceira). O conceito de limiar do prurido parte da hipótese que qualquer indivíduo é capaz de tolerar algum estímulo prurítico.

Mas, quando vários estímulos estão presentes e excedem esse limiar de tolerância, o animal vai acabar por manifestar essa coceira e neste caso será necessário tratar a causa. É preciso raciocinar que parte do prurido pode ser devido à DAC e outra parte pode ser da piodermite secundária, por exemplo.

Por isso que o tratamento das doenças secundárias dá-se primeiramente ao diagnóstico da alergia, pois muitas vezes, o tratamento da piodermite já é suficiente para que o animal fique confortável12,17.

Assim, além de controlar a hipersensibilidade, devem-se tratar infecções secundárias para remover qualquer estímulo adicional e evitar que o paciente alcance o seu limiar de prurido17.

Outro ponto chave do diagnóstico é a diferenciação de outras doenças que conseguem confundir-se com a DAC18:

diferencia

Mas vale lembrar que, muitas vezes, as patologias ocorrem simultaneamente, podendo estas manterem a DAC por muito tempo. Sad smile

E porque o veterinário demora a diagnósticar a DAC?

Diagnosticar uma DAC não é uma coisa fácil, seu veterinário pode levar mais de 2 meses, revendo sempre as condutas anteriormente adotadas19. Ele vai precisar de um histórico minucioso (idade, raça, hábitos etc), além disso, irá observar os sinais clínicos, excluindo as outras doenças dermatológicas5,11,19,20,21.

É necessário descrever se o cão já foi tratado22 e com quais medicamentos houve ou não melhora – por isso é importante guardar todas as prescrições para consulta posterior.

O principal intuito do diagnóstico é promover o controle dos fatores que perpetuam a alergia22.

No diagnóstico será necessário realizar raspados de pele para excluir a sarna demodécica (demodicose), sarna sarcóptica (escabiose) e fungos. O raspado cutâneo para o Demodex deve ser feito coletando-se células de vários locais do corpo do animal.

O exame citológico, ou seja, aquele que analisa a estrutura das células coletadas da pele e a cultura bacteriana19,22 podem ser necessários. O exame micológico (direto e cultura) é imperativo para qualquer paciente portador de dermatopatia, exceto em casos de câncer de pele22. A cultura é um exame onde a bactéria ou fungo coletado da pele são colocados em meio de crescimento para serem identificados depois que crescerem.

O exame histopatológico não apresenta valor diagnóstico. Nesse exame é coletado um pedacinho da pele que é observada no microscópio onde aparecem células inflamatórias (linfócitos, que são células do sistema imunológico, por exemplo), neutrófilos (células que indicam infecção secundária). A ocorrência de eosinófilos (células que geralmente estão ligadas à alergia comum) são bem incomuns na DAC19,20. Deve-se seguir o diagnóstico diferencial19,11,21, para tanto, o algoritmo proposto por Hillier (2002) é muito útil19.

algoritimo

A execução de testes alérgicos (intradérmico e sorológico)23,24 podem ser feitos na tentativa de exclarecer os alérgenos5, embora os resultados variem devido a reações cruzadas, reação falso-positiva (ecto e endoparasitoses podem elevar os níveis de IgE do sangue, por exemplo) ou falso-negativa11,19,20.

Porém, estudos demonstram que 80% exibem uma reatividade imediata ao teste cutâneo para inalantes8. Mas para que o teste dê certo é preciso a interrupção do tratamento de acordo com a tabela abaixo 11, 22,23,24,25:

DIAS


Mas como controlar a coceira no período de interrupção?

Com banhos a cada 1 a 3 dias com xampus próprios para alergia. Não pode aplicar na área de teste11

Procure um veterinário especialista em dermatologia veterinária. Qualquer medicamento que você use por conta própria pode influenciar o diagnóstico. Se o tratamento não está funcionando, retorne ao veterinário para reavaliação. Sad smile



FONTES:
1. VIEIRA, Diana Branco. Infecção Cutânea no Doente Atópico Canino. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Medicina Veterinária, Dissertação de Mestrado, 116 p., 2008.
2. HILLIER, A. & GRIFFIN, C. E. The ACVD task force on canine atopic dermatitis:incidence and prevalence (I). Veterinary immunology and immunopathology, no. 81, p. 147-151, 2001.
3. SCOTT, D. W., MILLER, W. H. & GRIFFIN, C. E. Skin immune system and allergic skin diseases. In: SCOTT, D. W.; MILLER, W. H. & GRIFFIN, C. E. (Eds.). Muller and Kirk’s Small Animal Dermatology, Philadelphia: W.B. Saunders, 6th ed., p. 574-601, 2001.
4. PRÉLAUD, P. Dermatite atopique canine. EMC-Vétérinaire, vol. 2, p. 4–29, 2005.
5. LUCAS,L.;CANTAGALHO, K.;BEVIANI,D. Diagnóstico Diferencial das Principais Dermatopatias Alérgicas Parte II – Atopia: Diagnóstico e Estratégias Terapêuticas. Nosso Clinico, n 56, 2007, p.06-14, mar-abr. 2007.
6. OLIVRY, T., DEBOER, D. J., GRIFFIN, C. E., HALLIWELL, R. E. W., HILLIER, A., MARSELLA, R. & SOUSA, C. A. The ACVD task force on canine atopic dermatitis: forewords and lexicon. Veterinary immunology and immunopathology, n. 81, p. 143–146, 2001.
7. HALLIWELL, R. Revised nomenclature for veterinary allergy. Veterinary Immunology and Immunopathology, n. 114, p. 207–208, 2006.
8. WILLEMSE, T. Dermatologia Clinica de Cães e Gatos. Barueri: Manole, 2 ed., p.44-47,1998.
9. BIRCHARD, S.J. & SHERDING, R.G. Manual Saunders Clinica de Pequenos Animais. São Paulo: Roca, 2a Ed., p.372-380, 2003.
10. GRIFFIN, C. E. & DEBOER, D. J. The ACVD task force on canine atopic dermatitis (XIV): clinical manifestations of canine atopic dermatitis. Veterinary immunology and immunopathology, n. 81, p. 255-269, 2001.
11. HARVEY,R.G. & MCKEEVER,P.J. Manual Colorido de Dermatologia do Cão e do Gato Diagnóstico e Tratamento. Rio de Janeiro: Revinter, 1 ed., p.20-24, 2004.
12. MUELLER, R. S. & JACKSON, H. Atopy and adverse food reaction. In A. Foster & C. Foil (Eds.), BSAVA manual of small animal dermatology, Gloucester, UK: British small animal veterinary association, 2nd ed., p. 125-136, 2003.
13. PICCO, F., ZINI, E., NETT, C., NAEGELI, C., BIGLER, B., RÜFENACHT, S., ROOSJE, P., GUTZWILLER, M. E. R., WILHELM, S., PFISTER, J., MENG, E. & FAVROT, C. A prospective study on canine atopic dermatitis and food-induced allergic dermatitis in Switzerland. Veterinary Dermatology, n0 19, vol. 3, p. 150-155, 2008.
14. MARSELLA, R. & OLIVRY, T. Animal Models of Atopic Dermatitis. Clinics in Dermatology, 21, p. 122–133, 2003.
15. SARIDOMICHELAKIS, M. N., KOUTINAS, A. F., GIOULEKAS, D. & LEONTIDIS, L. Canine atopic dermatitis in Greece: clinical observations and the prevalence of positive intradermal test reactions in 91 spontaneus cases. Veterinary immunology and immunopathology, 69, 61-73, 1999
16. ZUR, G., IHRKE, P. J., WHITE, S. D. & KASS, P. H. Canine atopic dermatitis: a retrospective study of 266 cases examined at the University of California, Davis, 1992–1998. Part I. Clinical features and allergy testing results. Veterinary Dermatology, vol.13, p. 89–102, 2002.
17. MARSELLA, R. & SOUSA, C. A. The ACVD task force on canine atopic dermatitis (XIII): threshold phenomenon and summation of effects. Veterinary immunology and immunopathology, vol. 81, p. 251-253, 2001.
18. PLANT,J.D.& REEDY, L.M. Atopia. In: RHODES,K.H.Dermatologia de Pequenos Animais Consulta em 5 minutos. 1 ed. Rio de Janeiro: Revinter, p.248-252, 2005.
19. ZANON, J. P.; GOMES, L. A.; CURY, G. M.; TELES, T. C.; BICALHO, A. P. Dermatite atópica canina. Semina: Ciências Agrárias, v. 29, n. 4, p. 905-920, 2008.
20. MEDLEAU, L.; HNILICA, K. Reações de Hipersensibilidade.Dermatologia de pequenos animais. São Paulo: Roca, cap. 7, 2 ed., p. 160-164, 2009.
21. WILKINSON, G. T.; HARVEY, R. G. Hipersensibilidades.Dermatologia dos pequenos animais – Guia para o diagnóstico. São Paulo: Manole, 2 ed., cap. 8, p. 144-148, 1996.
22. HILLIER, A. Symposium on atopic dermatits. Veterinary Medicine, Lenexa, KS, v. 97, n. 3, p. 196-222, 2002.
23. SCOTT, D. W.; MILLER, W. H. Antihistamines in the management of allergic pruritus in dogs and cats. The Journal of Small Animal Practice, Oxford, v. 40, n. 8, p. 359-364, 1999.
24. GRIFFIN, C. E.; HILLIER, A. The ACVD task force on canine atopic dermatitis (XIV): allergen-specific immunotherapy. Veterinary Immunology and Immunopathology, Amsterdam, v. 81, n. 3, p. 363-383, 2001.
25. WHITE, P. D. Atopia. In: BICHARD, S. J.; SHERDING, R. G. Manual saunders: clínica de pequenos animais. São Paulo: Roca, p. 343-351, 1998.

This Post Has 2 Comments

    1. Olá Guaracy,

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