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Teste intradérmico em cães, fazer ou não fazer?

Depois de utilizar o algorítimo de Hillier para confirmar a DAC, o médico veterinário pode lançar mão de diagnósticos laboratoriais para auxiliar suas hipóteses diagnósticas1,2

Teste intradérmico

É um teste feito onde diversas substâncias são injetadas na pele do animal. A reação provocada por cada uma delas é comparada com uma substância controle3.

 

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Realização de teste alérgico intradérmico (Foto de Dr.ª Ana Mafalda Lourenço Martins).

O tipo, tamanho e intensidade da reação do local tornará o teste positivo ou negativo. As substâncias comumente utilizadas são ácaros de poeira doméstica, resíduos de pele humana, pena, bolores, sementes, gramas e árvores.

Uma reação positiva, não significa  necessariamente que o animal  tenha alergia clínica as substâncias injetadas, assim como uma reação negativa não exclui o diagnóstico de atopia.

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Resultado de teste alérgico intradérmico, exibindo algumas reacções positivas e muitas negativas (Foto de Dr.ª Ana Mafalda Lourenço Martins).

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Testes alérgicos in vitro ou sorológicos

É um teste sanquíneo que detecta níveis de IgE (imunoglobulina E, célula de defesa envolvida na atopia) alérgeno-específica no soro do animal.  Há estudos que dizem que não somente a IgE esteja envolvida na atopia e o resultado do teste pode não se correlacionar com a doença clínica.

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Mas porque fazer se os testes não são conclusivos?

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Em muitos lugares você vai ler que não adianta fazer os testes. Obviamente, para algumas alergias, principalmente as hipersensibilidades alimentares, os testes de diagnóstico in vitro não superam os testes de exclusão alimentar e reintrodução do alimento suspeito.

Mas para a DAC a história é diferente. A doença é tão difícil de diagnosticar e tratar que o médico veterinário deve lançar mão de tudo que está ao seu alcance.

Segundo o as últimas diretrizes para o tratamento da DAC, publicadas pelo Grupo de Trabalho Internacional dedicado ao estudo da Dermatite Atópica Canina, existe um consenso de que os testes sorológicos ou intradérmicos para detecção das IgE alergenos-específicas não podem ser utilizados para o diagnóstico inicial da DAC nos cães8.

Essa recomendação dá-se pelo fato de que muitos cães normais e atópicos apresentam apresentam reações positivas em ambos os testes, diminuindo, assim, de forma muito pronunciada a especificidade destes testes para o diagnostico da DAC.

Desta forma, a utilização de um teste sorológico ou intradérmico como principal critério para o diagnóstico da DAC conduzirá a erros de diagnóstico.

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Porém este mesmo grupo de trabalho aconselha o uso dos testes nas seguntes situações9:

  1. para documentar se a doença está associada a uma IgE alérgeno-específica ou não (isto é, para determinar se o cão sofre de DAC ou de ALD – atopic-like dermatitis)
  2. para implementar intervenções direcionadas a fim de evitar os alérgenos (por exemplo, medidas para eliminação dos ácaros em casa), e⁄ou
  3. para selecionar os alergénos da imunoterapia3,4,5

As dificuldades dos testes intradérmicos está na falta de padronização dos extratos alérgenos para o teste disponível em medicina veterinária, tornando difícil sua seleção e diluição1,2,3,4. Alérgenos aquosos são mais utilizados, pois aqueles com glicerina são considerados irritantes7.

O uso de alérgenos mistos não é recomendado, pois freqüentemente resultam em reações falso-negativas, já que alérgenos individuais podem estar em concentração muito diluída para a detecção1,2,3.

Ressalta-se que a reação positiva ao teste, significa que o paciente possui anticorpos sensibilizantes na pele, e não necessariamente que ele possua alergia clínica. Assim, é necessário que as respostas positivas sejam interpretadas correlacionando-as com o histórico do animal.

O uso de medicamentos deve ser suspenso antes do teste de acordo com a tabela abaixo1,2,3:

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A suplementação com ácidos graxos essenciais, pelo fato de suprimirem a produção de células mediadores da inflamação devem ser interrompidas por 2 semanas antes do teste7.

O uso dos teste alérgicos in vitro (testes sorológicos), podem ser úteis quando:

  1. não se puder fazer o teste intradérmico, como por exempo quando há o comprometimento grave da pele7;
  2. quando os resultados forem negativos em um cão com grande evidência de DAC; ou
  3. quando a dessensibilização com base no teste intradérmico for mal sucedida1,2.

Estes testes identificam os anticorpos IgE específicos circulantes no soro dos pacientes atópicos7. São eles:

  • Teste radioalergoabsorvente (RAST)
  • Ensaio imunoabsorvente ligado a enzimas (ELISA)
  • Ensaio imunoenzimático de fase líquida, que detectam níveis relativos de IgE alérgeno específicos no soro1,2.

Mas devemos ter em mente que a presença de ecto e endoparasitoses, produzem níveis elevados de IgE sérica, tornando o teste falso-positivo e essa é a principal desvantagem destes testes1,2,7.

Mas, estes são mais vantajosos pois não exigem tricotomia, podem ser feitos em pacientes muitos acometidos1,2, não sofrem interferência de drogas e são menos invasivos7

Quando a dessensibilização é feita por meio de testes alérgicos sorológicos cuidadosamente interpretados, realizados em pacientes meticulosamente selecionados, cerca de 60% dos cães apresentam respostas boas a excelentes.

 Portanto, ANTES DE DESCARTAR UM TESTE INTRADÉRMICO OU SOROLÓGICO, converse com seu veterinário dermatologista, só ele vai saber a hora correta de fazer o exame.

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  1. SCOTT, D. W.; MILLER, W. H. Antihistamines in the management of allergic pruritus in dogs and cats. The Journal of Small Animal Practice, Oxford, vol. 40, no 8, p. 359-364, 1999.
  2. GRIFFIN, C. E.; HILLIER, A. The ACVD task force on canine atopic dermatitis (XIV): allergen-specific immunotherapy. Veterinary Immunology and Immunopathology, Amsterdam, vol. 81, no 3, p. 363-383, 2001.
  3. THOMPSON, J. P. Moléstias imunológicas. In: ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E. C. Tratado de medicina interna veterinária. 4.ed. São Paulo: Manole, vol. 2, p. 2766-2802,1997.
  4. HILLIER A.; DEBOER D.J. The ACVD task force on canine atopic dermatitis (XVII): Intradermal testing. Veterinary Immunology and
    Immunopathology, vol. 81, p. 289–304, 2001.
  5. OLIVRY, T.; HILL, P. B. The ACVD task force canine atopic dermatitis (IX): the controversy surrounding the route of allergen challenge in canine atopic dermatitis. Veterinary Immunology and Immunopathology, Amsterdam, v. 81, n. 3-4, p. 219-225, 2001.
  6. ZANON, J. P.; GOMES, L. A.; CURY, G. M.; TELES, T. C.; BICALHO, A. P. Dermatite atópica canina. Semina: Ciências Agrárias, vol. 29, no. 4, p. 905-920, 2008
  7. WHITE, P. D. Atopia. In: BICHARD, S. J.; SHERDING, R. G. Manual saunders: clínica de pequenos animais. São Paulo: Roca, p. 343-351, 1998
  8. DEBOER D.J.; HILLIER A. The ACVD task force on canine atopic dermatitis (XVI): Laboratory evaluation of dogs with atopic dermatitis
    with serum-based ‘‘allergy’’ tests. Veterinary Immunology and Immunopathology, vol 81, p. 277–87, 2001.
  9. OLIVRY, T.; DEBOER D.J. et all. Treatment of canine atopic dermatitis: 2010 clinical practice guidelines from the International Task Force on Canine Atopic Dermatitis. Veterinary Dermatology, vol. 21, p. 233-248, 2010.

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