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A variabilidade fenotípica dos cães

Tão variada quanto no tamanho, a espécie canina também apresenta diversas caraterísticas físicas1. A família Canidae possui 13 gêneros e 37 espécies. Oficialmente a FCI agrupa os cães em onze grupos de raças oficiais, que podem variar de país para país, já que cada organização internacional admite diferentes grupos para a classificação do conjunto de raças que reconhece.

O agrupamento oficial, considera no mesmo grupo os cães que realizam o mesmo tipo de trabalho ou que tenham a mesma semelhança física. Com isso os cinófilos passam a ter mecanismos que facilitam o julgamento da estrutura e dinâmica dos exemplares nas exposições de conformação. Os grupos organizam as raças com particularidades e utilidades similares, ou seja, pela sua função. A classificação da FCI3 é:

  • Grupo 01: cães pastores e boieiros (exceto boieiros suíços)
  • Grupo 02: tipo pinscher e schnauzer, molossóides e boieiros suíços
  • Grupo 03: terriers
  • Grupo 04: dachshunds
  • Grupo 05: spitz e do tipo primitivo
  • Grupo 06: sabujos farejadores e raças semelhantes
  • Grupo 07: cães apontadores e de parar
  • Grupo 08: cães d’água, levantadores e retrievers
  • Grupo 09: cães de companhia
  • Grupo 10: lebréus ou galgos
  • Grupo 11: raças não reconhecidas pela FCI, como american pit bull terrier, dogue brasileiro, ovelheiro gaúcho e o bulldog americano.

Dentro destes grupos estão classificadas as mais de 400 raças ao redor do globo. Na prática, o homem classificou o cão de uma forma muito mais simples, que podem ser enumeradas em seis agrupamentos básicos de acordo com sua utilidade:

  • Caça: spaniels, setters, retrievers, pointers;
  • Companhia: buldogue, pequinês, pug, chihuauhua;
  • Pastores: alemão, collie, border collie;
  • Sabujos: foxhound, basset, beagle, dachshound;
  • Terriers: fox, pitbull, yorkshire, pinscher;
  • Guarda e utilidade: doberman, rottweiller, dálmata, husky.

Esses grupamentos remetem ao tipo de trabalho à para qual o cão foi selecionado através dos cruzamentos iniciais, no início da domesticação.

Cão de guarda

Para o veterinário Bruce Fogle2, explica que o primeiro papel de trabalho do cão junto ao homem foi o de “sentinela em acampamentos”. Os pequenos filhotes de lobo, que foram criados no acampamento, respeitavam quem cuidava deles como se fosse parte da matilha.  Assim, o homem se beneficiou da excelente audição, olfato e visão periférica do cão que avisavam sobre perigos de animais ferozes e de pessoas intrusas. Até hoje o sentimento de proteção fornecido pelo cão é umas das principais razões pelas quais nós queremos tê-los por perto.

Cão de pastoreio e gado

Para Dr. Bruce2 um cão protege a família quando são criados com essas pessoas desde filhote. Da mesma forma, se criado com gado desde cedo, protege o rebanho, ao invés de caçá-lo. Antigamente grandes mastiffs já trabalhavam como pastores nas regiões montanhosas onde o gado estava desprotegido contra lobos e ursos.

Caça guiada pela visão

Outro sentido presente no cão, que foi selecionado pelo homem para trabalhos específicos, foi a visão periférica do cão. Dr. Bruce2 explica que geneticistas provaram que raças de grande visão periférica, tais como Salukis e Afghans, são de fato muito antigas.

Estes cães foram utilizados como auxiliares na caça e eles faziam isso por vontade própria, pois cães socializados por pessoas acompanhavam homens que deixavam o acampamento para a caça.

Campo de visão do cão

Com os sentidos excepcionais e uma velocidade exemplar, ajudavam a detectar e capturar a presa.

Esse foi o trabalho principal dos cães até à invenção das armas de fogo.

Caça guiada pelo olfato

Apesar de seu campo de visão ampliado ser de muita utilidade, nada superou a descoberta do poder do olfato canino – assim nasceu a caça guiada pelo cheiro. Dr. Bruce2 explica que essa habilidade foi amplamente melhorada pelo homem que compreendeu que podia interferir seletivamente nos cruzamentos caninos a fim de melhorar o desempenho de certos sentidos.

O autor exemplifica que, ao obter pernas curtas num cão, o homem aumentava a suprema habilidade de localizar presas. O nanismo, encurtamento de ossos longos, diminui a velocidade de um cão permitindo que eles sejam úteis em regiões montanhosas e florestais da Europa, onde só era possível a caçar a pé.

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Basset Hound, exemplo de raça anã utilizada para o faro.

Essa teoria é comprovada pela falta de cães anões em regiões como a Índia e a Arábia, onde homens caçavam à cavalo por áreas vastas.

O trabalho pela força

Os cães também já foram muito utilizados pela força de seus músculos. Bruce2 conta que antigamente havia cães turnspit, cujo trabalho era girar o espeto onde a carne assava.

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Turnspit dog, espécie de roldana movida à cães.

Na América do Norte, índios usavam cães para puxar cargas. E, claro, não podemos nos esquecer dos cães de trenó, indispensáveis, até os dias atuais, para os moradores de região ártica.

Cães Huskys Siberianos em competição de Mushing.

Funções lamentáveis

Algumas funções caninas, ainda presentes no mundo de hoje são lamentáveis. Na China, Coréia e Filipinas cães são utilizado como alimento humano regularmente. São bilhões de cães comidos todos os anos. Inclusive eles acreditam que a carne canina melhora o desempenho sexual do consumidor. De sorte, instituições envolvidas com o bem estar animal vem desenvolvendo campanhas para exterminar esse costume abominável4.

Outra atividade canina desprezível que felizmente é proibida no Brasil pela lei de crimes ambientais é a briga de cães, porém é muito comum em países do Afeganistão5.

FONTES

1. MARQUENZI, Dagomi. Algo de novo no reino dos humanos. Revista Galileu, edição 197, dezembro, p. 41-53, 2007.

2. FOGLE, Bruce. Guia Ilustrado Zahar: cães. [trad.] Bianca Bold. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009

3. FCI. Standards and nomenclature. Federation Cinologique Internacionale – for dogs worldwide. Acessado em: abril, 2011. Disponível em: http://www.fci.be/nomenclature.aspx

4. VEJA ON LINE. Gostamos, e daí? Pressionados, sul-coreanos assumem, com orgulho, o hábito de comer carne de cachorro. Veja OnLine, janeiro 23. Acessado em: abril, 2011. Disponível em: http://veja.abril.com.br/230102/p_072.html

5. VITALE, Paulo. Brigas de Animais no Afeganistão. Zoom, fev, 2011. Acessado em: abril, 2011. Disponível em: http://especiais.ig.com.br/zoom/brigas-de-animais-no-afeganistao/

This Post Has One Comment

  1. Andie, mto bom o texto!!! O mais interessante do seu blog é que ele nao é voltado, exclusivamente, para westies, mas sim para qualquer amante dos cachorros. Isso que faz a diferença!
    Parabens!
    bjos

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