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Meia drágea de 12/12h

Outro dia estava num consultório veterinário e vi, no meio de outros medicamentos, na estante do veterinário uma drágea partida ao meio. Naquele dia saí do consultório pensando naquele pet que tomou meia drágea de um medicamento e que pode não deve ter tido melhora por causa disso.

Não quero aqui julgar os outros profissionais de saúde, mas uma coisa é certa, as disciplinas de farmacologia das outras profissões é bem restrita. Além disso, disciplinas de farmacotécnica, farmacognosia e química farmacêutica dão à ao farmacêutico um upgrade de conhecimento e que, de uma forma, nos faz  entender o todo processo.

Digo isso com muita franqueza e segurança, pois sou casada com um dentista, amiga de muitos médicos, veterinários e enfermeiros e sei as dificuldades que eles possuem de entender de “TECNOLOGIA FARMACÊUTICA”.

Para melhor entendimento do assunto é necessário uma breve explicação sobre alguns fatores:

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SISTEMA GASTROINTESTINAL

Assim como nos humanos o sistema gástrico canino é composto por vários locais onde poderá ocorrer a liberação/absorção de substâncias  ativas contidas no medicamento:

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Por exemplo, no estômago o meio pH é baixo, tornando o meio ácido e no intestino o pH vai se tornando alto, ou seja, meio básico.

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O meio ideal

Todo medicamento possui um princípio ativo, ou seja, uma substância química que após absorvida vai fazer o efeito desejado. Mas a absorção dependem de vários fatores: presença de água, meio ácido-base ideal, presença de gordura (como no caso das vitaminas lipossolúveis), etc.

Depois da água, o meio ácido-base ideal talvez seja o fator definitivo no processo de absorção correto dos medicamentos.

Assim, um produto que necessita de meio ácido, será pouco absorvido ou não sofrerá nenhuma reação de liberação do princípio ativo no meio básico.

O inverso também é verdadeiro, e digo mais, um princípio ativo que precisa de meio básico, se for colocado em meio ácido, sofrerá ataque químico em suas moléculas e

perderá seu efeito!

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A forma farmacêutica

Esse é o termo que descreve como o medicamento se apresenta, pode ser: cápsulas, drágeas, comprimidos, comprimidos revestidos, solução, suspensão, etc.

dragea

 

A forma farmacêutica ideal para um princípio ativo depende de como ele será absorvido no organismo (meio ideal), da via de administração e/ou da forma de aplicação do produto.

Isso quer dizer que, antes de ser lançado no mercado, cada produto da indústria farmacêutica passa por ensaios físico-químicos a fim de definir sua forma ideal para melhor absorção e consequentemente alcançar o pico da ação farmacêutica.

Agora, vamos voltar ao início da história que nos trouxe até aqui:

Posso cortar uma drágea ao meio?

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A resposta é NÃO!

As drágeas são constituídas de núcleo (contendo o princípio ativo) e assim, quando a indústria opta por uma drágea, geralmente é porque o princípio ativo sofre ação do ácido do estômago e consequentemente terá sua absorção apenas em meio básico.

Pense bem, como fazer um produto chegar ao meio básico (intestino) se antes dele há o estômago com sua acidez exagerada?

Simples, os farmacêuticos bolaram sistemas de revestimentos gastroresistentes e enterossolúveis. Assim, o núcleo passará intacto pelo estômago e se libertará no intestino, onde é o meio ideal para ocorrer a liberação e assegurar a absorção. Veja o diagrama:

DRAGEA

Não é uma forma interessante de solucionar um problema?

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Só que aí vem um outro profissional e estraga tudo!

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This Post Has 5 Comments
  1. Achei excelente a sua explicação. O meu chefe já havia me dito que não poderia cortar a drágea. Mas fazer o que? Se o meu cão está com problemas de fígado e o remédio é a silimarina sendo que ela é uma yorkshire minúscula que necessita de metade desse remédio?
    O que fazer?
    Tenho que cortar, ainda que nem todo o conteúdo chegue até o local. Que saco!
    Será que não pensaram nisso?

    1. Oi Ana,

      Mas o texto em questão refere-se à drágeas verdadeiras. No caso a Silimarina é uma cápsula. São coisas apresentações totalmente diferentes. Além, disso a Silimarina é uma planta medicinal, ou seja, seu principio ativo não é isolado (contém outros componentes). Se fosse comigo, eu diluiria a cápsula pra 10mL de água e calcularia a quantidade em mL de peso do cão. 😉 … consulte um veterinário ou farmacêutico pra lhe ajudar no cálculo. Abç e boa sorte!

  2. Também já tinha visto um especialista falando sobre isso. Ocorre que o veterinário receitou meia drágea de Citoneurin pra minha cachorrinha… Vim pesquisar e achei seu artigo.
    O que seria correto a fazer no caso dela que é pequena e precisaria de apenas metade do que contém a drágea?
    Ela pode estar tomando “a toa”?

    1. Ola Daiane, pior é que pode. Pelo que pesquisei, na bula do Citoneurin existe a recomendação de não mastigar. Se não pode mastigar, não pode cortar né? Seria melhor sua vet achar outra apresentação do princípio ativo.

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