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Por que meu Westie lambe muito as patas?

Billy, Westie resgatado na Inglaterra por ter sido abandonado após os ataques de lambedura.

Billy, Westie resgatado na Inglaterra por ter sido abandonado após os ataques de lambedura.

Quem nunca se perguntou isso? As respostas são inúmeras, pois a compulsão passa por vários fatores. Para dirimir essas dúvidas, o blog convidou a Dra. Ana Cláudia Balda para explicar um pouco sobre esse problema que certamente aflige muitos Westies Lovers.

O que leva um cão a lamber as patas compulsivamente?
O cão pode lamber por prurido (coceira), por dor ou por compulsão (alterações comportamentais).

Por que, muitas vezes, eles se lambem por compulsão? 

A lambedura compulsiva das patas é um distúrbio obsessivo compulsivo, pode ser comparado com seres humanos que roem as unhas. O que acontece é que a lambedura faz com que o cérebro libere serotonina, uma substância que dá sensação de prazer, sendo assim se inicia um ciclo vicioso e o cão fica dependente do ato de lamber para promover esse bem estar.

Essa compulsão pode estar ligada com o ato de chamar atenção do dono? Ou ser desencadeada por essa necessidade?

Nos quadros de origem psicogênica, o cão não lambe para chamar a atenção, ele lambe para liberar mais serotonina (aquela substância que dá sensação de prazer), mas o que é relatado é que muitas vezes a causa da lambedura é por exemplo, a solidão. Esse quadro é frequente em animais de grande porte que ficam em empresas como cães de guarda, como geralmente são sozinhos, frequentemente desenvolvem lambedura e dermatite psicogênica e aí se o proprietário der mais atenção para esse animal, ou seja brincar mais, passar mais horas junto dele, esses são fatores que vão ajudar esse animal a melhorar.

Você acha que a genética influencia na incidência desses fatores? 

Sim, tanto que algumas raças são predispostas. É importante pesquisar a causa da lambedura, se for decorrente do prurido é necessário que sejam investigadas as doenças alérgicas que podem ser alergia a pulgas e carrapatos, alergias alimentares, atopia ou alergia à substâncias que são inaladas e também absorvidas pela pele.

Quais substâncias podem ser capazes de desenvolver essas alergias?

Alérgenos são substâncias como ácaro de poeira, pólen que são capazes de causar inflamação e consequentemente, coceira que vai levar o cão a se lamber. Normalmente esses animais respondem bem às medicações para controle do prurido, quando medicados, eles param de lamber.

Muitas vezes, juntamente com esses quadros alérgicos, alguns agentes normalmente presentes na pele se multiplicam e provocam doenças secundárias. As mais comuns são a piodermite (infecção por multiplicação de bactérias) e malasseziose (infecção por multiplicação de fungos). Um exame de citologia é necessário para fechar esses diagnósticos.

Além de bactérias e fungos, podem haver outros agentes?

Sim. Outra doença que pode causar lesões em região de patas e entre os dedos é a demodiciose (ou sarna demodécica), desencadeada pela multiplicação de um ácaro dentro dos folículos pilosos, que podem ser observados por um exame chamado de raspado de pele.

Muitos criadores afirmam que a demodiciose é adquirida e não pode ser herdada (embora eu discorde disso). Na sua opinião é um patologia transmissível verticalmente (passa de mãe para filhos) e/ou de transmissão genética?

Alguns animais nascem portadores desse ácaro, juntamente com uma imunodeficiência que é determinada geneticamente e uma parte deles desenvolve doença. Os westies são bastante predispostos. Animais que apresentam essa doença devem ser castrados, não podem ser reproduzidos, já que se trata de uma dermatopatia grave, que pode inclusive levar à óbito quando associada à infecções graves, se não diagnosticada e tratada da forma correta.

A demodiciose é sempre transmitida verticalmente, ela tem origem hereditária em todos os casos da doença, não há dúvidas sobre isso, daí a importância da castração de fêmeas portadoras. É preciso deixar claro que a mãe transmite o ácaro ao filhote e ele herda também uma imunodeficiência que pode vir da mãe ou do pai, ou seja, nem sempre a mãe estará doente ou já teve a doença, ela pode ser uma portadora assintomática (ela transmite o ácaro sem manifestações da doença durante sua vida)

Foto: Dr. Ronaldo Lucas

 

A dermatite psicogênica ocorre mais frequentemente na forma de lesões decorrentes de lambedura em face cranial de membro torácico (o animal lambe a região correspondente à região externa do antebraço em seres humanos) e de tanto lamber a área, há formação de uma lesão ulcerada (uma ferida que não cicatriza) e é mais comum em raças de porte grande. Alguns cães lambem todas as patas e apresentam alteração de cor no pelo, que fica mais escuro em função do contato com a saliva.

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Como podemos diagnosticar a lambedura por compulsão?

É importante lembrar que as causas mais comuns desses quadros são as alergias, a sarna demodécica e as doenças de pele secundárias. Excluindo todas essas doenças por exames complementares, aí sim o clínico vai pensar na causa psicogênica (a compulsão).

Há ainda a hipótese de que alguns cães alérgicos desenvolvam complusão pela lambedura após um curso crônico de prurido (períodos muito longos de coceira). As alterações psicogênicas são tratadas com medicações alopáticas que modificam a produção de serotonina ou terapias alternativas como acupuntura e homeopatia.

Qual a melhor forma de tratar a lambedura?

É muito importante que se investigue o que desencadeou o processo, por exemplo a perda de outro animal contactante, animais que ficam períodos muito longos sozinhos ou qualquer outro fator que possa comprometer o comportamento do cão.

O manejo também deve ser modificado para que o animal tenha companhia, mais brinquedos à sua disposição, se exercite e tenha mais atenção do proprietário.

[box type=”info”] Alguns Westies ficam com suas patinhas marrons devido à lambura. Na nossa experiência percebemos que a presença de tártaro provoca acidez salivar. Além do manejo, uma boa tartarectomia (limpeza dos tártaros) é bem vinda para diminuir a acidez e melhorar a cor dos pêlos. [/box]

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A Dra. Ana Balda é médica veterinária formada pela FMVZ/USP (1995), trabalha no Serviço de Dermatologia do Hovet/USP (1998), Mestre pela FMVZ/USP (2001) e Doutora pela FMVZ/USP (2008).

Além disso, Professora de Clínica Médica de Pequenos Animais – FMU e Coordenadora e Coordenadora do Curso de Medicina Veterinária – FMU, além de ser a responsável pelo Serviço de Dermatologia do Hospital Veterinário Pompeia em São Paulo.

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