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Quanto custa aquele filhote na vitrine?

Quem não se encanta com filhote de cão na vitrine de um Pet Shop? Até dormindo eles chamam a atenção de quem está passando. Muitos humanos não resistem a essa tentação e, por impulso, acabam comprando o animal de estimação nesse momento.

O apelo que filhotes têm sobre um humano amante de animais é grande. Mas, o preço pago por esse impulso, na maioria dos casos, é alto. E justamente esse risco é sempre colocado de lado na hora que vemos o filhote na gaiola.

Acredite: o preço do animal é somente a ponta do iceberg das despesas com a posse desse novo amigo. Animais de estimação necessitam de muitos cuidados básicos (vacinação, boa alimentação, banhos e tosa) e outros mais complexos: ambiente livre de parasitas, atenção e exercícios diários para manter a saúde.

Não só isso, para que um animal tenha boa saúde precisamos de uma forcinha da boa genética e  assim, a procedência é muito importante. Além dela, uma boa socialização é muito bem vinda para que você não tenha dor de cabeça quando chegar em casa.

Mas, você deve estar estar se perguntando porque estamos falamos disso? Aquele filhotinho do Pet Shop também é vacinado, está aparentemente saudável e muitas vezes tem até pedigree. Sim, você está certo!

A maioria dos Pet Shops vendem os filhotes que teoricamente passaram por consulta veterinária e estão em dia com as primeiras vacinas. Porém, você acha mesmo que só isso define a saúde de um animal? Principalmente um animal de raça?

Lembre-se: animais de raça foram altamente selecionados pelo homem durante sua domesticação e assim, propensos a ter problemas de saúde por causa da restrita seleção genética.

O cão exposto num gradil do Pet Shop veio de onde? Quem são seus pais? Como ele foi socializado? Pra quem você irá reclamar se ele apresentar problemas de saúde nos próximos dias ou meses? E se ele apresentar problemas de ordem congênita ou genética?

No artigo “How Much is that Doggie in the Window? The Surprising Economics of Purchasing a Purebred Puppy”, o autor Allen St. John chama a atenção para uma questão que dificilmente é levantada ao se comprar um animal de estimação em um pet shop: que tipo de garantia essa loja pode dar ao novo dono depois que o animal é vendido?

Ele faz uma conta simples: divide o valor do cão adquirido de uma criação de boa procedência e o valor pago no Pet Shop pelos dias estimados que o cão irá viver. A diferença no valor diário chega a ser irrisória.

No Brasil, essa conta nem pode ser considerada, pois o valor que se paga no cãozinho na loja quase sempre é o mesmo pago à um bom criador daquela raça. A única diferença é que a sua caixinha de surpresas está ali, disponível.

Criadores que só visam o lucro enxergam o Pet Shop como uma grande vitrine. Pra eles é um local bonito e limpo, onde o seu “produto à venda” será visto.

Na maioria das vezes o Pet Shop vende um filhote de uma criação que nem sempre preenche pré-requisitos de uma criação idônea. Pense bem: se o criador daquele filhote fosse alguém com mínimo de compaixão, ele não deixaria o filhote exposto numa vitrine por horas e horas a fio, num lugar onde entram pessoas e, especialmente, animais doentes?

Um filhote em tenra idade não tem capacidade imunológica para se proteger de doenças e muitos menos, treinamento para ficar 8 a 12 horas confinado em uma gaiola (aliás nenhum cão, em idade alguma, deveria ser exposto a isso). Muitas vezes passam frio, não se exercitam, e pior, desaprendem a fazer suas necessidades no local certo – se é que um dia foram treinados.

Assim, por trás de um filhote à venda num pet shop, há um criador que não faz seu trabalho como deveria.

#fato!

Não se assuste quando eu disser que são donos de lugares abarrotados de filhotes, as vezes com mais de 300 animais entre matrizes e filhotes à disposição. Um cenário mais ou menos assim:

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Esses cães são cruzados com o único objetivo de produzir filhotes para  vender. Seleção de linhas de sangue saudáveis, exames de saúde, avaliação do padrão da raça, garantia de saúde em contrato, passam longe do trabalho desses “criadores”. A produção de filhotes doentes ou com potencial de desenvolverem doenças genéticas é enorme.

Por outro lado, um bom criador vai ter atitudes bem diferenciadas que, em resumo:

  • Dá garantias extensas de saúde, 1 ano ou mais.
  • O seu filhote será parte dele pra sempre. Isso significa que ele irá querer notícias de você constantemente. De vez em quando ao longo da vida do cão, vai chamá-lo para saber como ele está e sempre incentivará um contato.
  • Se você não puder mais cuidar do cão, o criador sempre irá recebê-lo de volta em qualquer idade. Seu cão não precisa acabar num abrigo nesses casos.
  • Nunca irá recomendar a eutanásia como solução para problemas comportamentais. Provavelmente vai pedir que você devolva o cão para tentar recuperá-lo.
  • Vai entrevistá-lo, poderá até mesmo visitar sua casa para decidir se você está preparado para receber o filhote e se você saberá conduzir a educação do filhote.
  • Geralmente os filhotes são mantidos em casa, para que assim se acostumem com um ambiente familiar normal.
  • No momento certo, o criador vai expor os filhotes a estranhos, permitirá a manipulação de pessoas amigas, para que eles tenham uma experiência real com estranhos antes de serem encaminhados, a fim de que adquiram competências necessárias para se tornarem adultos bem ajustados.
  • Nunca encaminha filhotes assim que eles desmamam, ou seja, não vai vender um filhote com menos de 10 a 12 semanas de idade.
  • Mantém o filhote junto à sua mãe e irmão até que ele esteja seguro e maduro para uma separação.
  • Vai fornecer referências dos pais e de pessoas que compraram seus filhotes no passado.
  • No momento correto, poderá permitir que você manipule o filhote em frente à cadela – assim você saberá o temperamento dela. Com certeza a cadela vai permitir que você manipule os filhotes sem exibir agressão.
  • Não permite que sua cadela dê cria em garagens ou outras áreas isoladas.
  • Vai seguir um programa de vacinação seguro, com vacinas de qualidade, aplicadas por médicos veterinários. Fornecerá os todos os registros quando encaminhar o filhote.
  • Vai exigir a prova da esterilização/castração ou exigir que assine um contrato e registro limitado que prevê a castração.
  • Nunca vai cruzar a cadela antes da idade adequada.
  • Fará sempre seleção de temperamento e estará aberto a resolver e selecionar cães considerando problemas médicos em suas linhas.
  • Poderá perguntar quantos animais você tem, quais os tipos, idades, onde você os obteve, o que aconteceu com eles.
  • Não vende dois filhotes do mesmo sexo ou da mesma ninhada para um mesmo dono.
  • Conhecer os donos pessoalmente é sempre uma premissa e sempre vai pedir referências suas.
  • Ficará ao lado de suas cadelas durante parto não importa quantas horas demore ou quantas noites de sono perdido isso signifique.
  • Para um criador idôneo os filhotes são como membros de sua família.
  • Não vai encaminhar filhotes de companhia para executarem serviços de guarda em residências ou outros trabalhos que coloquem a vida de seus filhotes em perigo.
  • Não vai especializar-se em mais de uma raça.Atuará como sua primeira fonte de informação sobre questões de comportamento, nutrição, cuidados pessoais e muito mais.
  • Vai fazer contratos, dar garantias e poderá exigir que você conheça filosofias de treinamento positivos a fim de continuar a educação do filhote.
  • Nunca lhe encaminhará filhotes de raça sem certificado (pedigree).

Por conta de todo esse processo, nem sempre terão filhotes disponíveis a todo momento, portanto, considere a possibilidade de ter que esperar por um filhote.

“Puxa, mas eu quero pronta entrega estou com pressa!” – você vai me dizer. Eu lhe respondo: cães de boa linhagem vivem muitas vezes mais de 15 anos, portanto, não tenha pressa. Não trate seu futuro amigo como mercadoria. Pare, analise, escolha bem!

Não se iluda. Você não vai encontrar cães de um bom criador disponível em feirinhas e ou em gaiolinhas do Pet Shop. Nem naquele Pet Shop chiquérrimo do melhor shopping center de sua cidade. Nem naquele com vendedores uniformizados e super educados, com explicações na ponta da língua. Nem se a loja estivesse localizada em Nova York ou em Paris.

Lembre-se: o Pet Shop é uma loja, um comércio, esteja onde estiver, seja como for. Seu único objetivo é ganhar a comissão pela venda do filhote –  algo em torno de 100% do valor do filhote.

Pagar por ela é uma opção sua!

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[box type=”info”] Post escrito em co-autoria com Nadine Fontenele, escritora do Canini e mamãe do westie Pacco e do shitzu Gucci.[/box]

This Post Has 2 Comments

  1. Gostaria de saber se conhece algum criador de shitzu no mesmo padrão de voces!!!

    Preciso de uma companhia para meu shitzu mas queria algum criador com as qualidades que descrevem no site.

    Obrigada!!!

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